Aconteceu. Aquilo que a Monsanto em tempos tinha afirmado que não passava de um conceito "duvidoso", tem agora honras de notícia no New York Times. Trata-se do aparecimento generalizado, em milhões de hectares distribuídos por 22 estados americanos, de pelo menos 10 espécies de ervas daninhas resistentes ao herbicida Roundup, da Monsanto. Segundo Andrew Wargo, presidente da Arkansas Association of Conservation Districts, trata-se "da maior ameaça à produção agrícola que alguma vez vimos".
Estas pragas aparecem nos terrenos em que são cultivadas plantas transgênicas (também elas resistentes ao Roundup) e, como não são afetadas por este herbicida, competem pelos nutrientes e sufocam a cultura. Ainda segundo o New York Times, os produtores estão vendo-se obrigados a recorrer a herbicidas mais tóxicos, que já tinham sido abandonados, para liquidar as infestantes. Segundo um outro comentador citado na mesma notícia, "a indústria da engenharia genética está arrastando-nos para uma agricultura mais dependente de pesticidas quando sempre tinham prometido, e nós precisamos de utilizar, a direção oposta".
O que está acontecendo nos Estados Unidos é perfeitamente previsível e biologicamente inevitável. É o que vai nos acontecer se formos pelo mesmo caminho, e é também uma demonstração de que os transgênicos não correspondem a nenhum paradigma de sustentabilidade, antes empurram os agricultores para um círculo vicioso de químicos cada vez mais fortes, cada vez em maior quantidade. A situação atual ainda não atingiu o seu ponto alto, mas já é de tal modo grave que a Syngenta, uma competidora da Monsanto, já criou um site só para mostrar o mapa dos locais onde as infestantes já se instalaram e vender químicos alternativos ao Roundup.
Veja aqui uma notícia de um canal de TV americano sobre o assunto.